Regras do padel: o guia para quem vem do tênis
A pontuação do padel é a mesma do tênis: 15, 30, 40, game, sets de seis. Se você já jogou tênis, entra na quadra sabendo contar. O problema é todo o resto — o saque é por baixo, a bola volta da parede e o instinto de bater forte, que no tênis ganha ponto, no padel entrega ponto. Este guia cobre as regras oficiais, o que mudou no regulamento da FIP em 2026 e como o jogo funciona de verdade no amador.
O que continua igual ao tênis
- A contagem: 15, 30, 40, game. Sets de seis games, com tie-break em 6–6. Competições jogam melhor de três sets.
- O saque é em diagonal, na área de saque do adversário, com duas tentativas (primeiro e segundo saque).
- A bola só pode quicar uma vez no seu lado antes de você devolvê-la.
- Rede no meio, e tocar na rede durante o ponto é falta.
Ou seja: a gramática do jogo você já conhece. O que muda é o vocabulário.
O saque: por baixo, depois do quique
No padel não existe aquele saque por cima que define o ponto sozinho. A regra oficial manda deixar a bola quicar no chão e golpeá-la na altura da cintura ou abaixo, atrás da linha de saque, cruzado para a área de saque do adversário.
Dois detalhes que pegam quem vem do tênis:
- Se o saque quicar na área correta e depois tocar o vidro, é válido e a bola está em jogo. Se tocar a tela (o alambrado), é falta.
- Desde 2026, a FIP flexibilizou a posição dos pés: basta um pé em contato com o chão atrás da linha no momento do impacto, o que permite sacar já em movimento para a rede. A proibição de bater acima da cintura continua.
O saque no padel não é arma, é o começo da jogada. Quem tenta transformá-lo em ace geralmente só entrega segundo saque.
As paredes: onde o padel vira outro esporte
A quadra tem 20 por 10 metros e é fechada por paredes de vidro e telas. As paredes fazem parte do jogo, e é aqui que o jogador de tênis mais sofre — para o bem e para o mal.
- No seu lado, a bola do adversário pode quicar no chão e bater no vidro: você joga depois da parede. A devolução saindo do vidro é o golpe defensivo mais básico do padel.
- Você também pode usar a sua própria parede de propósito: jogar a bola contra o vidro do seu lado para que ela cruze a rede (a chamada contra-parede).
- O que não pode: mandar a bola direto na parede do adversário sem quicar no chão antes. Isso é ponto perdido, e é exatamente o que acontece quando o ex-tenista resolve dar uma paralela forte que voa longa.
No circuito profissional existe até a saída de quadra: com os portões abertos, o jogador pode sair da quadra para devolver uma bola que passou por cima do vidro. Na quadra do clube, com portão fechado e carro estacionado do lado, esquece.
Ponto de ouro virou Star Point em 2026
Aqui entra a mudança de regra mais comentada do ano. Durante anos o profissional jogou com ponto de ouro seco: empatou em 40–40, um ponto decide o game. No regulamento que a FIP publicou para 2026, em vigor desde 1º de janeiro no Premier Padel e nos torneios da federação, o formato virou um híbrido batizado de Star Point: em 40–40, joga-se normalmente até duas vantagens; se o empate persistir depois delas, um ponto de ouro definitivo decide o game, segundo o resumo da Padel Nuestro e a análise da Padel Addict.
O regulamento de 2026 trouxe mais mudanças, todas na direção de acelerar o jogo:
- Aquecimento pré-jogo caiu de 5 para 3 minutos.
- Comer ou beber entre pontos foi proibido; hidratação só na troca de lados.
- Técnico que levar a segunda advertência é expulso na hora.
- A área de segurança externa da quadra passou de 2 para 3 metros de largura, por causa da potência atual das saídas de quadra.
- Na raquete, os furos do perímetro podem ter formato não circular, desde que não passem de 20 mm — e cordinha de segurança arrebentada agora custa o ponto.
- Impacto acidental (bolada, choque) dá direito a até 5 minutos de recuperação, separando acidente de tempo médico tático.
Nada disso muda sua pelada de quinta, mas explica por que os jogos do Premier Padel que você assiste estão mais curtos.
Os quatro erros clássicos de quem vem do tênis
- Bater com força máxima. No tênis, o winner morre no fundo. No padel, a bola forte bate no vidro e volta mansinha para o adversário atacar. Potência sem ângulo é presente.
- Desistir da bola que passou. Ela vai bater no vidro e voltar. A bola "perdida" no padel quase sempre ainda é jogável — correr atrás dela é a regra, não o esforço extra.
- Swing longo. A raquete de padel é rígida, sem cordas, e a quadra é pequena. Golpes curtos e blocados funcionam; a armada completa do tênis chega atrasada.
- Jogar de trás. O padel se ganha na rede, e em dupla: os dois sobem juntos, os dois defendem juntos. Ficar plantado no fundo esperando erro é herança de tênis que a parede pune.
E no jogo amador, valem essas regras?
As regras de golpe e quadra, sim. O formato, quase nunca. No amador ninguém marca melhor de três sets com vantagem: aluga-se a quadra por tempo e joga-se o que couber no relógio. Das 96 partidas abertas no app Bora em Campo Grande (agenda consultada em 17/08/2026), 57 — quase 60% — são blocos de 60 minutos, e outras 26 são de 90. Na prática isso vira games corridos ou sets curtos, quase sempre com ponto de ouro seco, porque ninguém quer decidir o game no vidro do horário seguinte.
A regra não escrita mais importante do amador, aliás, não está em regulamento nenhum: é jogar com gente do seu nível. Partida desequilibrada é ruim para os quatro. Se você não sabe onde se encaixa, o guia da escala de níveis de 0 a 7 explica como se avaliar sem chute — e se está calculando quanto esse novo vício vai custar, a conta completa de jogar padel no Brasil está no guia de custos.
Regras entendidas, o passo seguinte é simples: entrar numa quadra. Se você está em Campo Grande, o guia de por onde começar mostra o caminho — e no app do Bora dá para achar uma partida aberta no seu nível sem depender de convite no grupo do WhatsApp.